Seu filho é o sucessor da empresa porque é competente ou porque é seu filho?
Essa pergunta surgiu em uma conversa recente que tive com um executivo sobre sucessão em empresas familiares. A reflexão foi tão pertinente que achei que valia compartilha la.
Em muitas empresas familiares, a sucessão é adiada até deixar de ser uma decisão estratégica e se tornar um problema familiar, patrimonial e empresarial.
Sucessão não deveria começar quando o fundador decide sair. Deveria começar muito antes.
Preparar um sucessor significa investir em formação, experiência fora da empresa da família, exposição a diferentes culturas de gestão, accountability e desenvolvimento de liderança.
Muitas vezes, o melhor sucessor é aquele que primeiro constrói sua própria identidade profissional, aprende em empresas de referência e depois retorna para trazer novas práticas e perspectivas.
Não por acaso, uma análise recente da McKinsey (Sucessão de CEO em empresas familiares: como construir valor quando o futuro muda de direção) sobre sucessão em empresas familiares reforça a importância da preparação antecipada, do desenvolvimento dos sucessores e de uma governança mais estruturada.
Profissionalizar não significa afastar a família. Significa criar condições para que família, património e empresa possam coexistir de forma saudável.
No fim, sucessão não é sobre quem vai herdar a empresa. É sobre quem estará preparado para fazê-la prosperar.
Sucessão é menos sobre herança e mais sobre preparação.
Escrito por
José Guilherme Farias
Mentor executivo. Atua nos mercados Brasil e Portugal, apoiando profissionais sêniores em transições de carreira.
