“Você não precisa necessariamente de outro MBA. Talvez precise de exposição internacional.”
Essa frase ficou comigo depois de ouvir uma conversa com o CEO de uma empresa portuguesa de desenvolvimento de negócios internacionais, presente em sete países, quatro continentes e com atuação em dezenas de mercados.
Ao falar sobre desenvolvimento de carreira e sobre o futuro profissional das novas gerações, ele partilhou uma recomendação que considero especialmente relevante para jovens profissionais:
Sair do mercado local e procurar experiência em empresas com operações globais.
Concordo muito com esta estratégia.
Para quem está a procurar uma carreira internacional, um novo emprego ou simplesmente uma nova oportunidade profissional, trabalhar num ambiente internacional pode representar muito mais do que uma mudança de emprego.
Pode significar aprender a trabalhar com diferentes culturas, mercados e modelos de negócio. Pode ampliar a rede de contactos, desenvolver novas competências e aumentar a capacidade de atuar em diferentes geografias.
E esta questão está a tornar se ainda mais relevante.
A Inteligência Artificial está a transformar o mercado de trabalho e a acelerar a necessidade de novas competências. O World Economic Forum aponta a IA e o processamento de informação entre as tecnologias com maior potencial de transformação dos negócios até 2030.
Ao mesmo tempo, a McKinsey & Company destaca a importância da chamada “skills liquidity” na Europa: a capacidade de fazer com que competências, pessoas e oportunidades circulem com maior facilidade entre funções, setores e geografias.
Fonte: McKinsey & Company, “Europe’s skilling dividend: Turning talent into growth”.
Neste contexto, mobilidade profissional, requalificação, desenvolvimento de competências e empregabilidade deixam de ser apenas temas de Recursos Humanos e passam a ser elementos importantes para qualquer profissional que queira preparar a sua carreira para o futuro.
Talvez, para quem está à procura de um novo emprego, a pergunta não deva ser apenas:
“Qual empresa está a contratar?”
Mas também:
“Em que mercado, empresa ou função posso desenvolver competências que terão valor global?”
E para quem já está empregado:
“Estou a construir uma carreira local ou a desenvolver uma carreira que pode atravessar fronteiras?”
Nem sempre o próximo passo precisa de ser outro MBA.
Pode ser outro país. Outra cultura. Outra operação. Outro mercado.
Acredito que a experiência internacional será cada vez mais relevante para profissionais que desejam aumentar a sua empregabilidade e construir uma carreira global.
Porque, num mundo em que tecnologia, conhecimento e negócios atravessam fronteiras cada vez mais rapidamente, talvez uma das maiores vantagens competitivas de um profissional seja precisamente a capacidade de trabalhar para além delas.
E você? Se tivesse de escolher hoje entre mais uma qualificação académica ou uma experiência profissional internacional, qual experiência acredita que poderia transformar mais a sua carreira?
Escrito por
José Guilherme Farias
Mentor executivo. Atua nos mercados Brasil e Portugal, apoiando profissionais sêniores em transições de carreira.
