Enviei currículos todos os dias quando cheguei a Portugal.
E quase nenhuma porta se abriu.
A foto desta publicação é de um dos primeiros eventos em que participei após chegar ao país: o E-Commerce Experience.
Foi um dos muitos momentos que marcaram a minha adaptação profissional em Portugal.
Em 2019, tomei uma das decisões mais importantes da minha carreira: deixar o Brasil e iniciar uma nova jornada noutro país.
Cheguei sem uma rede de contatos estabelecida, sem conhecer profundamente a realidade local e com o desafio de reconstruir uma trajetória construída ao longo de muitos anos.
Como muitos profissionais em transição, comecei pelo caminho mais óbvio: candidaturas online.
Atualizava o LinkedIn, ajustava o currículo e aguardava respostas. Mas rapidamente percebi algo importante:
Um bom currículo nem sempre é suficiente quando entramos num novo mercado, especialmente quando toda a experiência profissional foi construída noutro país.
Foi então que voltei a fazer algo que sempre fez parte da minha carreira como headhunter: construir relacionamentos.
Passei a participar em eventos, marcar cafés e conversar com profissionais de diferentes áreas.
Defini uma meta simples: ter entre três a cinco conversas por semana. Não eram encontros para pedir emprego.
Eram oportunidades para conhecer pessoas, trocar experiências, compreender melhor o contexto local e criar conexões genuínas.
E foi precisamente dessas conexões que surgiram apresentações, oportunidades e caminhos que dificilmente apareceriam através de uma candidatura online.
Essa experiência reforçou uma convicção que levo comigo até hoje:
Carreiras são construídas por competências, mas também por relacionamentos.
Vejo muitos profissionais altamente qualificados enfrentarem dificuldades na recolocação porque concentram toda a sua energia em enviar currículos. Por isso, deixo uma reflexão:
Será que a próxima oportunidade está em enviar mais uma candidatura? Ou pode estar numa conversa que ainda não aconteceu?
A tecnologia transformou a forma como procuramos oportunidades. Mas confiança, credibilidade e proximidade continuam a ser construídas entre pessoas.
A minha mudança para Portugal ensinou-me algo valioso: Movimentar-se é essencial.
As oportunidades raramente aparecem quando esperamos passivamente.
Invista em pessoas.
Porque, às vezes, um evento, um café ou uma conversa de 30 minutos pode ser o primeiro passo para uma grande mudança.
Escrito por
José Guilherme Farias
Mentor executivo. Atua nos mercados Brasil e Portugal, apoiando profissionais sêniores em transições de carreira.
